quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

ECOEFICÁCIA ...é assim que vejo o Mundo

* Eduardo de Almeida


Tenho por hábito e por dever de profissão cercar-me de pessoas que pretendem aprender algo com a minha presença, e nessas conversas muitas vezes em sala de aula, quando sou perguntado sobre a atual situação ambiental do Brasil e do Mundo, sempre respondo que estamos vivendo a fase de ouro do meio ambiente, e isso sempre causa espanto e surpresa num primeiro momento para quem escuta minha resposta, mas logo entendem minha posição, afinal complemento minha opinião pelo fato que nas últimas quatro décadas nunca o meio ambiente ocupou tanto destaque como nesse período, foram Conferências Mundiais, surgimento de órgãos fiscalizadores, criação e aperfeiçoamento de Leis ambientais, a discussão do tema foi para as salas de aula, para as empresas e para os governos. Nunca se cuidou e melhorou as condições ambientais do Planeta como atualmente, só no Brasil a criação do IBAMA em 1989, o Estudo de Impacto Ambiental e seu relatório conhecido como EIA/RIMA na resolução do CONAMA nº 001/86, o Licenciamento Ambiental na resolução do CONAMA  nº 237/97 a Política Nacional do Meio Ambiente em 1981 , Política Nacional de Educação Ambiental em 1999 a Lei dos Crimes Ambientais em 1998 , Política Nacional dos Resíduos Sólidos em 2010 ,saliento também a nossa Constituição Federal de 1988, no seu artigo 225. E citarei como marco a Conferência da ONU de 1972 e suas outras como a Rio 92 e suas posteriores. Vivemos o tal Desenvolvimento Sustentável aperfeiçoado dia-a-dia, pessoas e empresas estão cada vez mais conscientes de sua responsabilidade ambiental, hoje as tecnologias são feitas para  não poluir, consequentemente verificamos menos poluição do ar, das águas e do solo, afinal hoje se fiscaliza e claro se exige instalações de equipamentos para tratamento de efluentes, de controle de emissões atmosféricas, atualmente as cidades investem cada vez mais em saneamento básico, se busca cada vez mais na ciência as soluções para questões ambientais e com base nisso até os combustíveis hoje em dia, tem seus impactos minimizados ou até eliminados, e assim verificamos que a sustentabilidade tão discutida já está acontecendo.

Nessas minhas conversas defendo sempre a ideia da ECOEFICÁCIA, em diminuição da ecoeficiência, sempre explico que a relação entre eficácia e eficiência é muito intensa. Normalmente processos eficientes (eficiência) levam aos resultados desejados (eficácia), mas podemos fazer certo as coisas erradas ou vice e versa, o que que representaria muitas vezes eficiência mas não eficácia ou vice e versa. Um bom exemplo é um time de futebol, um que utiliza os melhores métodos – eficiência dentro de campo (dribles, passes precisos, etc.)- pode começar e terminar uma partida sem ter feito gol, isto mostrou um grupo eficiente, mas não foi eficaz (já que não fez o gol!). Outro time, por exemplo, pode ter baixo nível técnico e terminar uma partida ganhando de 3x0 de seu adversário, já nesse caso o time foi ineficiente (técnica pobre), mas atingiu seu objetivo e por isso foi eficaz. Uma ótima dica de leitura que recomendo é o  livro “Do berço ao berço” dos autores Mcdonough e Braungart, a ideia do berço ao berço começa onde a ecoeficiência acaba, isto é, conforme os autores, é apenas fazer um sistema ruim ficar um pouco menos ruim. As ideias-chave do livro é que em vez de projetar produtos para minimizar os impactos negativos (como faz a ecoeficiência), deveríamos projetá-los para ter impactos positivos (ecoefetividade), que eu denomino de ecoeficácia, outra grande ideia do livro e que precisamos projetar com o futuro em mente, em vez de ficarmos presos a mediocridade do passado.

Para fundamentar minha posição que estamos vivendo os melhores dias do Desenvolvimento Sustentável , uso as ideias-chave propostas por Lomborg no livro “O ambientalista cético”, que muitas reclamações atuais sobre a situação mundial são excessivamente pessimista, e tem por base dados sobre o ambiente analisadas e apresentadas de forma distorcidas ou enganosas, também cito o pessimismo predominante tende minar a confiança em nossa capacidade de solucionar os problemas que nos afetam diretamente. Para finalizar minha colocação, como diria Raul Seixas: “ E para aquele que provar que eu tô mentindo eu tiro o meu chapéu”. 

* Biólogo, Professor e Palestrante.

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ECOEFICÁCIA ...é assim que vejo o Mundo de Eduardo de Almeida é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

3 comentários:

adriane.marrua@gmail.com disse...

O pessimismo está generalizado,mas eu acredito que precisamos buscar novas formas para prevenir e tentar solucionar os problemas,não devemos estar passivos, o filme A Última Hora, sugestão de vídeo do prof Eduardo mostra a realidade " Somos a geração que pode mudar o mundo para sempre". Ou seja depende de cada um de nós!

Rogério disse...

Prezado Professor Eduardo, gostei muito do seu texto. Achei muito esclarecedor. No entanto, gostaria de tecer um comentário sobre o termo "diminuição da ecoeficiência" em detrimento da ecoeficácia. Não creio ser um termo adequado. A ecoeficácia traz em seu bojo um pouco do conceito da biomimética e da proposta “do berço ao berço” (cradle-to-cradle), cuja finalidade é extrapolar a finalidade-núcleo proposta na concepção do produto incorporando finalidade(s) no pós-uso. Dessa forma, as empresas visam projetar seus produtos incorporando conceitos ambientais através da implementação de novas tecnologias a fim de reduzir totalmente a geração de resíduos e o uso de energias. Dessa forma, o objetivo desejado vai além de apenas servir a contento o consumidor. Assim, podemos entender que a ecoeficiência não se reduz em nada, apenas caminha paralelamente a um novo conceito da linha do ciclo de vida do produto. Forte abraço

Rogério disse...

Prezado Professor Eduardo, gostei muito do seu texto. Achei muito esclarecedor. No entanto, gostaria de tecer um comentário sobre o termo "diminuição da ecoeficiência" em detrimento da ecoeficácia. Não creio ser um termo adequado. A ecoeficácia traz em seu bojo um pouco do conceito da biomimética e da proposta “do berço ao berço” (cradle-to-cradle), cuja finalidade é extrapolar a finalidade-núcleo proposta na concepção do produto incorporando finalidade(s) no pós-uso. Dessa forma, as empresas visam projetar seus produtos incorporando conceitos ambientais através da implementação de novas tecnologias a fim de reduzir totalmente a geração de resíduos e o uso de energias. Dessa forma, o objetivo desejado vai além de apenas servir a contento o consumidor. Assim, podemos entender que a ecoeficiência não se reduz em nada, apenas caminha paralelamente a um novo conceito da linha do ciclo de vida do produto. Forte abraço